domingo, 1 de julho de 2018

RETIRAR A RESPONSABILIDADE DO GOVERNADOR DAS DECISÕES DA FUNDARPE É TAMBÉM RETIRAR DO MESMO OS MÉRITOS DO POSSÍVEL SUCESSO DO FIG?


Ao que parece, a polêmica causada pelo anúncio de uma peça teatral a ser montada durante o FIG 2018, não foi e nem será encerrada tão cedo.

O chamado ‘espetáculo teatral’ O evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu escrito pela dramaturga escocesa trans Jo Clifford e protagonizada pela atriz trans Renata Carvalho, rendeu mobilizações da sociedade em outros estados tendo inclusive sido vetada em alguns deles por, segundo estes mobilizadores, possuir conteúdo ofensivo, a partir do título da mesma que coloca o maior ícone do cristianismo em um contexto do qual historicamente ele nunca esteve,  indo de encontro aos preceitos do cristianismo, que apesar da laicidade do estado representa a maior parcela da população brasileira.
    
Essa não é a primeira vez que a peça com Jesus travesti é censurada. O espetáculo chegou a ser barrado pela Justiça em Jundiaí (SP) e proibido pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

O detalhe é que em Garanhuns a citada peça seria apresentada paga pelo dinheiro público, sem no entanto existir prévia consulta à sociedade e segundo o Governo Municipal à revelia deste, já que sequer uma reunião foi realizada com órgãos locais para que fossem pontuadas as posições ideológicas cristãs, referidas na montagem. Agindo assim, antecipadamente se evitariam confrontos.

Além da posição contrária de autoridades eclesiásticas, representadas pela Igreja Católica local e presidência do presbitério de Garanhuns, religiosos de diversas correntes e parlamentares e Gestores , além de diversos pré candidatos se posicionaram em suas redes sociais como contrários à exibição da peça em Garanhuns. Nenhum destes no entanto se posicionou CONTRA homossexuais ou causas LGBT, mas tão somente à profanação do nome de Jesus Cristo, símbolo maior da cristandade, de forma desnecessária e supostamente em nome da arte e da cultura.

Para o governador de Pernambuco Paulo Câmara (PSB) que é pré candidato à reeleição no entanto, fica um desgaste desnecessário a pouco menos de 100 dias da eleições, principalmente pelo debate iniciado pelo Secretário de Cultura Marcelino Granja que utilizando a mídia confrontou a decisão do prefeito de Garanhuns, Izaías Régis que ouvindo a sociedade local e naturalmente como político e cristão se posicionou a favor desta, vetando a apresentação do espetáculo em prédio público municipal, semelhantemente ao prefeito carioca, um direito que lhe assiste como gestor. Granja no entanto, também acusou os mobilizadores – apesar destes serem, em sua maioria a população de cristãos católicos e evangélicos -, de estarem politizando o episódio.

Para os que retiram a responsabilidade do Governador, que após a polêmica iniciada voltou atrás,  cancelando a encenação da peça no FIG, ficam apenas duas perguntas:

1. Se o Secretário de Cultura atribui a mobilização à “atitude oportunista e eleitoreira de setores da oposição na cidade de Garanhuns”, na hipótese de haver um prefeito DA BASE de Paulo Câmara,  a peça seria apresentada, mesmo sob protestos e à revelia da população, (leia-se ELEITORES)?

2. Retirar a responsabilidade do governador das decisões da FUNDARPE é também retirar do mesmo os méritos do possível sucesso do FIG?

Cada um responde essas perguntas para si mesmo.