sábado, 10 de março de 2018

CIRO: O HERDEIRO DO CAOS

Nos bastidores petistas ganha corpo a avaliação de que Ciro Gomes seria o melhor
nome para substituir Lula na disputa, tendo Haddad na vice 
(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

*Por Sérgio Montenegro

Em meio à discussão sobre ampliação das alianças dos partidos de esquerda e centro-esquerda para a disputa presidencial, e da expectativa de um iminente pedido de prisão de Lula (PT) após o julgamento dos agravos, vem ganhando força nos bastidores as articulações de uma chapa encabeçada pelo pedetista Ciro Gomes (PDT) tendo o petista Fernando Haddad na vice. Como ambos são ex-ministros do governo do PT, essa composição, na avaliação dos seus defensores, manteria o DNA do ex-presidente nas eleições deste ano, mesmo com sua ausência.

As recentes declarações de Ciro em defesa de Lula vem carregadas de sinalizações de que o assunto estaria sendo de fato aprofundado pelas direções dos dois partidos. O ex-ministro da Integração Nacional tem criticado os processos judiciais contra o líder maior do PT e procurado reforçar sua lealdade e identidade com o ex-chefe, ao lado de quem, segundo ele, vem caminhando há mais de 16 anos.

Há um segmento da cúpula petista que, na ausência de Lula, enxerga em Ciro Gomes o nome com maior potencial para levar a eleição ao segundo turno contra um candidato apoiado pelas forças antagônicas, e com o aval do governo Michel Temer (MDB). Esse grupo acredita que, com as bênçãos do ex-presidente, a chapa PDT-PT teria reais condições de vitória, e na reta final atrairia sem problemas os votos dados no primeiro turno a candidatos como Manoela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL) e até mesmo os de Marina Silva (Rede).

O PT trata dessas negociações com os pedetistas muito reservadamente. Até porque, em público, permanece a ordem de empinar a candidatura Lula, mantendo as manifestações de descontentamento e os protestos contra os processos judiciais envolvendo o ex-presidente. A estratégia é segurar pelo maior tempo possível a simpatia do eleitorado pelo petista, indicada pelas pesquisas. Internamente, porém, o partido já fez todas as leituras dos sinais dados pelo Judiciário e está consciente de que perdeu a batalha.

A martirização de Lula, inclusive, fortaleceria o discurso de Ciro Gomes como o “candidato da revanche” para os eleitores que não aceitam as acusações e denúncias contra o ex-presidente. E a presença de Haddad na vice reveste a chapa com os ideais petistas. Os pedetistas, por sua vez, já indicaram que, em troca do bônus dessa aliança, estão dispostos a arcar também com o ônus político de todo o caos que envolveu o PT nos últimos anos.

Sérgio Montenegro é Jornalista da CBN Recife

SUSPENSOS PELO TCE CONCURSOS PÚBLICOS EM MUNICÍPIOS DO AGRESTE

Procurador disse que "Não existiam requisitos para contratação por dispensa"

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) determinou a suspensão de concursos públicos realizados em 2017 e 2018 nos municípios de Altinho, Cupira, Panelas, Santa Cruz do Capibaribe e São Joaquim do Monte. Os certames haviam sido organizados pelo c, somando centenas de vagas para diversas categorias. 

O ato aconteceu após solicitação do Ministério Público de Contas. A Primeira Câmara do TCE referendou, na última quinta-feira (08), uma Medida Cautelar contra ato do presidente do Consórcio Público Intermunicipal do Agreste Pernambucano e Fronteiras (CONIAPE), Edson de Souza Vieira, por conta da dispensa de licitação que deu origem ao contrato com a empresa Instituto de Administração e Tecnologia (ADM & TEC) para ser a organizadora do concurso público a ser realizado nos cinco municípios. O TCE determinou que seja suspenso qualquer ato relativo aos concursos, tanto o primeiro, que já foi realizado, como os que ainda não tiveram suas provas aplicadas.

O procurador do MPCO, Ricardo Alexandre, argumentou que não existiam requisitos para contratação por dispensa, já que a empresa contratada não possui inquestionável reputação, uma vez que não havia realizado concursos públicos para órgãos federais ou tribunais judiciais.
Outro ponto levantando por ele foi o fato da empresa, mesmo realizando concurso de grande porte, possuir apenas dois empregados cadastrados nos Sistemas RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e no CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Também pesou o fato de haver “indícios de graves irregularidades praticadas pela mesma empresa na Prefeitura de Buíque” (Processo TC nº 1607597-3).