domingo, 14 de janeiro de 2018

2018: O IMPACTO DA TENSÃO ELEITORAL NA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Em uma ano marcado por eleições para a presidência da república, governos de estado, senado e câmaras federais e estaduais, o Palácio do Planalto teme que a disputa entre os pré-candidatos à Presidência Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, e Henrique Meirelles (PSD), ministro da Fazenda, e a crescente tensão eleitoral possam atrapalhar a aprovação da reforma da Previdência, cuja votação está marcada para 19 de fevereiro.

O elogio feito pelo emedebista ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" publicada recentemente, teve como principal objetivo, segundo fontes do Planalto, brecar um início de atrito entre o presidente da Câmara dos Deputados e o ministro da Fazenda.

Maia e Meirelles se colocam como possíveis candidatos do governo na eleição presidencial deste ano e, ao lado de Alckmin, buscam se apresentar como o nome de centro na corrida pelo Planalto.

O jornal mostrou que Maia trabalha para minar Meirelles em meio a seus movimentos pela eleição, já tem equipe e articula alianças. Temer ficou preocupado com a possibilidade de o embate entre Maia e Meirelles prejudicar a votação da reforma da Previdência, meta principal do Planalto para este ano.

Na semana passada, a agência de classificação de riscos Standard & Poor's informou que rebaixou a nota de crédito do Brasil em razão de "constantes" atrasos justamente na aprovação das novas regras nas aposentadorias e citou uma mudança, já descartada, na "regra de ouro", que impede a União de se endividar acima do volume de investimento.


Assessores de Temer argumentam também que a mudança nas regras da aposentadoria traria mais estabilidade econômica, o que também pode se traduzir em votos, e teria um caráter simbólico de coesão que pode ser levado para a eleição.