terça-feira, 17 de abril de 2018

AUDIÊNCIA PÚBLICA PROMOVIDA POR PRISCILA KRAUSE BUSCA SOLUÇÕES PARA ESVAZIAMENTO DOS CENTROS TECNOLÓGICOS

A Deputada democrata Priscila Krause se mostra preocupada com a atual
situação dos Centros Tecnológicos no Estado. Foto: Mariana Carvalho

A Comissão de Ciência, Tecnologia e Informática da Assembleia Legislativa de Pernambuco realizou na manhã desta terça-feira (17), por proposição da deputada estadual Priscila Krause (DEM), a audiência pública “A situação dos centros tecnológicos de Pernambuco”. 

Motivada pelas queixas de enfraquecimento da política de incentivo à educação tecnológica e inovação por parte da atual administração estadual, a audiência levantou a situação dos cinco centros tecnológicos mantidos mediante contrato de gestão entre a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) – uma Organização Social (OS). O fechamento do Centro de Olinda e os prejuízos à Bacia Leiteira de Agreste Meridional com o esvaziamento do CT Laticínios foram destacados.

Os centros, localizados em consonância com a base produtiva dominante na região, ficam localizados em Olinda (Cultura Digital), Caruaru (Moda), Garanhuns (Laticínios), Serra Talhada (caprinocultura e ovinocultura) e Araripina (Gesso). De acordo com a deputada, os centros têm o propósito de desenvolvimento tecnológico, mas nos últimos anos têm sofrido com o arrefecimento das atividades. Em vez de realização de cursos e programações fixas, de mais longa duração, a maior parte deles só tem sido utilizada para esporádica programação de cursos de reduzida carga horária. “Houve uma mudança de foco muito preocupante na abordagem dos cursos profissionais. Os centros estão subutilizados e as populações e cadeias econômicas desassistidas”, registrou a parlamentar.

De acordo com o diretor presidente do Itep, Antonio Vaz, o “Instituto está lutando pela sobrevivência”. Criado em 1942 como Fundação Itep, nasceu vinculada à estrutura do governo de Pernambuco, tornando-se instituto sem fins lucrativos em 2003. Como responsável pelo contrato vinculado à Secti para gestão dos Centros Tecnológicos, o presidente ressaltou o apoio que tem recebido da Secretaria e do governo, mas sublinhou as dificuldades que a instituição perpassa diante da crise financeira que atinge o País e, particularmente, os cofres estaduais. Além da diminuição significativa das atividades nos centros, os funcionários do Itep têm sofrido com recorrentes atrasos de salário. Ele “reconheceu à sociedade” que as ações de “transição” da política pública, planejadas desde sua posse, em 2016, não lograram êxito.

Representante da Secti na audiência, a diretora de Política e Articulação da Pasta, Luciana Távora, reconheceu dificuldades, mas relatou o planejamento estratégico instituído pela gestão desde 2015 como avanço. Segundo ela, esse planejamento “dá segurança” de que apesar da crise a política pública de ciência, tecnologia e inovação do executivo estadual tem um norte. Também na mesa, o diretor acadêmico da Unidade Acadêmica da Universidade Federal Rural de Pernambuco em Garanhuns, Airon Melo, registrou os prejuízos decorrentes da diminuição das atividades do CT Laticínios. “A economia da bacia leiteira movimenta 100 mil empregos e alcança 500 mil pessoas, com uma produção de 850 milhões de litros de leite por ano. Nós lá do Agreste estamos órfãos pelos cursos técnicos terem deixado de funcionar. É preciso buscar uma saída”, registrou.

Os encaminhamentos da audiência pública, ao seu término, concluíram pela necessidade de uma reunião da deputada estadual Priscila Krause com a secretária Lúcia Melo; a visita a alguns dos centros tecnológicos; o levantamento da situação financeira do contrato com o Itep, afora estudo sobre a execução orçamentária do governo de Pernambuco na área e, por fim, a marcação de um novo encontro nos próximos meses. A priori, o contrato de gestão entre a Secti e o Itep tem termo final de prazo datado para setembro deste ano.

Com foto e texto de Mariana Carvalho



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