sexta-feira, 24 de novembro de 2017

BRASÍLIA: ENTRE O AMOR E O ÓDIO, A POLÍTICA E A POESIA

Capital Federal: Uma cidade que não pára. Foto: Marcelo Jorge
* Por Marcelo Jorge

Brasília é uma cidade cosmopolita. Sua origem, gerada a partir dos sonhos de Juscelino Kubitscheck, tornada realidade através da mente e dos traços criativos de Oscar Niemayer e consolidada por milhares de mãos brasileiras que, distante de suas terras, deram forma ao que era apenas desolação no planalto central do país. 

Foram na verdade consumidas as forças, os recursos,  a dedicação e o suor de milhares de imigrantes, em sua maioria nordestinos, os "candangos" além do sacrifício de centenas de vidas, sepultados sob o frio concreto que hoje envolve o Distrito Federal, mas que preserva também o verde, dando uma atmosfera bucólica à quase todos os logradouros. 

Assim, a cidade tomou forma e o lugar, distante das alegrias e cores dos litorais, tornou-se o coração das decisões políticas do país, originado a partir daí um estranho paradoxo de amor e ódio por parte da sociedade brasileira. 

Alvo da critica mordaz do cidadão comum ou da indiferença explícita dos que sentem-se injustiçados, Brasília é o palco principal da cena política que se desenrola nos gabinetes do Congresso, nos Palácios e na Esplanada, praças e demais ambientes nos quais  os três poderes decidem os destinos  - e por vezes até as vidas - de mais de 200 milhões de  brasileiros. Escolas, hospitais, segurança é demais políticas públicas, que podem gerar mais desenvolvimento para a população, são pautas discutidas nesses ambientes.

Mas é aqui que também se desenrola o lixo da corrupção,  os 'grampos telefônicos', a má e suja política dos bastidores, os milhões de reais e dólares que viajam em malas, o dinheiro na cueca, a visita do lobista inescrupuloso, as negociações escusas que por vezes - e na maioria dos casos - permitem os escândalos e a promessa eleitoral e vazia de "dias melhores". 

* Marcelo Jorge é âncora do 'Falando
com o Agreste', Radiojornalista,
Consultor Político e Graduando em
Ciência política pela UNINTER
Mas o lado "romântico" de Brasília, também é perceptível aos visitantes: Os 'traços do arquiteto' traduzem a forma harmônica desenvolvida carinhosamente por Deus ao criar o 'Céu de Brasilia' cantado pelo poeta alagoano Djavan, em 'Linha do Equador', e arquitetado pelas habilidosas mãos e mente de sua criatura, Niemeyer.  

Em cada Quadra, em cada quarteirão, prevalece um milimétrico planejamento arquitetônico. Ainda há muito verde, apesar da constante ausência de chuvas e falta de água nas torneiras brasilienses. 
Do condutor de UBER ao taxista; do motorista de ônibus ao burocrata; dos sindicalistas aos parlamentares, todos são unânimes na magia que envolve esse pedaço do Planalto Central.  

E é dentro desse redemoinho de movimentos sociais, culturais e políticos, estes últimos bem ou mal intencionados, que é abruptamente interrompido nas quintas feiras com a evasão dos parlamentares para seus estados de origem e com a volta à aparente normalidade na vida do cidadão brasiliense e dos dezenas de milhares que povoam as cidades satélites que nós, do "Falando com o Agreste" , nos integramos inúmeras atividades que movem a capital federal, para levar frequentemente aos ouvintes/internautas de Pernambuco e do país que nos acompanham pelo Rádio ou aqui pelo Blog, as notícias de uma Brasília que aparenta frieza, porém apresenta-se em constante ebulição. 

E quando nos despedimos desse 'Éden Babilônico', a sensação vem nos versos de outro poeta, dessa vez o pernambucano Alceu Valença: Adeus Brasilia, vou morrer de saudade


Nenhum comentário:

Postar um comentário