domingo, 29 de outubro de 2017

MESMO COM PROIBIÇÃO, PEÇA COM JESUS TRAVESTI É ENCENADA EM SALVADOR

Foto do site Correio 24 Horas
Mesmo com a liminar que proibiu a apresentação do espetáculo O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu no Espaço Cultural da Barroquinha, o público pôde conferir a montagem na noite desta sexta-feira (28) em outro endereço. De acordo com a organização do Festival Internacional de Artes Cênicas (Fiac), que trouxe a peça a Salvador, a decisão judicial proibia o Espaço Cultural da Barroquinha, vinculado à Fundação Gregório de Mattos, a abrigar a sessão. A peça chegou a ser apresentada no local na quinta-feira (26), com casa lotada.
Protagonizado pela atriz, professora e ativista Renata Carvalho,  que é transexual, a montagem questiona o que aconteceria se Jesus voltasse ao mundo na pele de uma travesti. O espetáculo é uma mistura de monólogo e contação de histórias em um ritual que traz Cristo ao tempo presente, na pele de uma travesti.
Como nem as produções envolvidas na realização do espetáculo nem outros espaços culturais da cidade  foram acionados em nenhum processo, a organização do festival manteve a sessão, que foi apresentada no Teatro do Goethe-Institut (ICBA), no Corredor da Vitória.
O público pagante foi informado na porta do Espaço Cultural da Barroquinha, onde estava prevista inicialmente a apresentação, sobre a mudança de endereço. Por conta disso, o espetáculo começou às 21h, em vez de 20h. A situação mobilizou a classe artística e outros gestores culturais, que chegaram a oferecer seus teatros para receber o espetáculo assim que souberam da decisão. 
"Nada impediu que o público que comprou ingressos para a sessão do dia 27/10 de O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu pudessem (vi)ver a o espetáculo bem distantes das proibições delegadas pela 12ª Vara Cível de Salvador, a partir de uma decisão do juiz de primeira instância que, mesmo sem conhecer o espetáculo e baseado exclusivamente nas alegações dos proponentes da ação, censurou a sessão no Espaço Cultural da Barroquinha", diz a nota oficial emitida pelo festival.
A Fundação Gregório de Mattos foi notificada no final da tarde de sexta-feira (27) da decisão, o que, segundo a organização do Fiac, "dificultou qualquer possibilidade de recurso em tempo hábil". A decisão judicial trazia como um de seus fundamentos a laicidade e alegava que a parte acionada desrespeitou o princípio constitucional previsto no art 5o, VI, qual seja a liberdade de consciência e de crença, pois não se pode “tentar, assim, eliminar os símbolos/crenças religiosas mais tradicionais do povo, com narrativas debochadas e fantasiosas, como que lhe arrancando as raízes”.
Correio 24 Horas

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