domingo, 15 de outubro de 2017

ÁS VÉSPERAS DA VOTAÇÃO DA SEGUNDA DENÚNCIA CONTRA PRESIDENTE, DELATOR “DESMONTA” PMDB E PIORA SITUAÇÃO DE TEMER

Funaro relatou ter negociado com Temer e seus aliados, entre eles o ministro Eliseu 
Padilha (Casa Civil), doações de caixa 2 para campanhas em 2014, no total de R$ 
10 milhões.  Foto: Hélvio Romero/Estadão
Repleta de detalhes, a colaboração premiada do executivo da J&F Joesley Batista não causou estragos apenas pelas informações que revelou, mas também por ter levado o empresário Lúcio Funaro, apontado como um dos principais operadores financeiros do PMDB, a aderir, ele mesmo, à delação.

Pessoas próximas às investigações da Operação Lava Jato e a Funaro dizem que o acordo de Joesley Batista foi visto pelo corretor como uma "traição" do empresário. O empurrão que ele precisava para delatar, como seus defensores afirmam, "de A a Z" as propinas que operou para "caciques do PMDB" e os benefícios obtidos por empresas. 
Desde o seu início, a Operação Lava Jato foi responsável pela homologação de 151 acordos de delação premiada.

O princípio desses acordos é o de que os envolvidos tragam à tona atividades ilícitas praticadas por eles em troca de benefícios --a redução de penas, por exemplo. Ao revelar seus crimes, o envolvido deverá, é claro, "trair" a confiança de seus parceiros e contar detalhes sobre os esquemas.  Nem sempre essas "traições" envolvem laços pessoais, mas no caso da delação de Joesley, que revelou pagamentos feitos a Funaro para que ele não delatasse, as informações repassadas pelo empresário à Justiça teriam quebrado uma relação que era bem próxima.  
Fontes ouvidas, afirmaram que a "traição" de Joesley deixou Funaro irritado e o impulsionou a procurar os procuradores federais na tentativa de firmar um acordo de colaboração com as autoridades. 

RELAÇÃO PESSOAL E PROFISSIONAL

Para entender como a delação de Joesley jogou Funaro no "colo" dos procuradores da Operação Lava Jato, é preciso saber que os dois não eram apenas parceiros comerciais. Os depoimentos prestados por Funaro à PF (Polícia Federal), a delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto e informações coletadas pela reportagem junto a pessoas próximas a Funaro indicam que ele e Joesley mantinham um estreito relacionamento pessoal e profissional. "Não dá para dizer que eram amigos, mas não era apenas negócios. Eles tinham um convívio social. As relações eram mais complexas que isso", afirma uma pessoa próxima a Funaro. 

O início dessa relação ainda é controverso. Em entrevistas, Joesley afirma ter conhecido Funaro em 2009, durante as negociações para a compra do frigorífico Bertin. Funaro, no entanto, disse à PF que conheceu o empresário apenas em 2011. Independentemente do do início exato desse relacionamento, o fato é que a ligação entre os dois era próxima.
Ao depor, Funaro deixa isso claro: "Que teve uma relação muito próxima com Joesley Batista tanto no campo social quanto no campo negocial", diz em um trecho.

O corretor Lúcio Funaro disse em sua delação premiada que o presidente da República, Michel Temer (PMDB), dividiu com Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-homem forte de seu governo, propina da Odebrecht. Nos anexos de sua colaboração, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal, ele afirmou ter buscado R$ 1 milhão em espécie, supostamente pagos pela empreiteira, no escritório do advogado e ex-deputado José Yunes, amigo de Temer. Relatou também ter mandado a quantia para Geddel, na Bahia.


Essas declarações condizem com a versão apresentada pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Mello Filho em sua delação. Ele relatou ter negociado com Temer e seus aliados, entre eles o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), doações de caixa 2 para campanhas em 2014, no total de R$ 10 milhões. Parte desse valor teria sido distribuída por meio de Yunes, apontado como um dos “operadores” do presidente.

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