sábado, 8 de julho de 2017

O GOVERNO DO ESTADO E A FIDELIDADE DOS PREFEITOS PERNAMBUCANOS

*Por Marcelo Jorge

A cada período no qual se aproximam as eleições no país, novos cenários se desenham em todas as esferas do poder. As conversas unilaterais e a análise política da conjuntura redirecionam rumos e transformam, em algumas situações, de forma drástica essa nova perspectiva.
Atores dessa cena, aliados ou oposicionistas, passam não ter muita certeza ‘de que lado estão’, principalmente quando se vive um contexto de grave crise institucional da qual não se pode ter um prognóstico futuro. Históricos anteriores desses atores passam então a ter menos importância e os seus valores passam a ser fixados pelos níveis de fidelidade partidária ou pelo menos pela aparência desses.
Na cena política pernambucana, essa constatação não poderia ser diferente: Fiéis aliados de primeira hora dos atuais mandatários do  Palácio, alguns inclusive desde à época do socialismo de Arraes, passando pela pregação da ‘nova política’ aludida por Eduardo Campos, sentem-se hoje desprestigiados e em alguns casos até ‘fritados’ pela cúpula do governo estadual.

Conversando com alguns prefeitos do Agreste e Sertão, por exemplo, o sentimento dos mesmos é de que o Palácio os observa de forma atenta e a qualquer indício de simpatia por atores que circulam na região e que hoje possam significar uma ameaça política, a censura e a seletividade entram em cena. 

A hegemonia do Partido Socialista Brasileiro nas urnas pernambucanas durante o pleito municipal de 2016, apesar de ter consagrado a legenda como a mais forte do estado, com a marca de 69 prefeitos e 43 vice prefeitos eleitos, apresentava-se dentro um contexto político social bem diferente do atual, quando graves crises políticas e sociais afligem as populações. Essa hegemonia, na política, é algo cuja garantia se vence com as mudanças conjunturais. 
Prefeitos pernambucanos em reunião com Ministro Bruno Araújo, em Brasília
Para se ter uma ideia dessa constatação, cerca de 27 prefeitos pernambucanos estiveram no agreste setentrional acompanhando o Ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB) na última sexta feira (07) quando da sua agenda em Caruaru, entregando casas do programa ‘Minha casa, minha vida’. A sintonia de Bruno, que pode inclusive disputar o governo do estado em 2018, com os gestores municipais já é algo muito perceptível. O ministro demonstra uma desenvoltura impressionante na resolução das demandas dos municípios, mesmo levando-se em conta a baixíssima aprovação do governo que representa. Em Brasília, recepciona os prefeitos com fidalguia e poucos saem de lá sem uma resposta positiva do titular da pasta das cidades.

Como os prefeitos desejam ver suas demandas de gestão atendidas, o que vem efetivamente assistindo, essa baixa aprovação do governo Temer não arranha a imagem do Ministro.

Trocando em miúdos: Ou o governador Paulo Câmara convida hoje os prefeitos da sua base para uma conversa amigável e conciliadora, enfim, uma agenda positiva, ou está fadado a ter surpresas pouco agradáveis na caminhada político-eleitoral que ensejará no interior no ano que vem.


*Marcelo Jorge é Consultor Político, Publicitário, radiojornalista, âncora do programa ‘Falando com o Agreste’ e graduando em Ciência Política pela UNINTER

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