quinta-feira, 6 de julho de 2017

INVERNO 2017: A ONDA DE FRIO E CHUVAS QUE MUDOU A ROTINA DE GARANHUNS


*Por Marcelo Jorge

Até o início da década de 1980, Garanhuns figurava como uma cidade de vocação turística e que tinha nas flores seu símbolo.

Chegou a ser conhecida, por estes atributos como ‘Cidade das Flores’. Afinal, as imagens dos seus jardins floridos eram ícones que à época, ainda longe  das redes sociais e mídias que hoje transformam uma notícia local em enfoque mundial, percorriam o país dando ares de cidade charmosa a este belo pedaço de chão encravado sobre sete colinas, bem no coração do Agreste pernambucano.

Mas um diferencial marcante de Garanhuns era, sem dúvidas, o clima: Um frio exótico, beirando os 5, 6 graus centígrados que a partir da primeira metade do século 20, trazia visitantes de diversos recantos do país para tratarem-se no ‘Sanatório’, uma espécie de hospital que cuidava de doenças do trato respiratório e que posteriormente veio a se tornar o emblemático Hotel Tavares Correia, segmento que ainda hoje mesmo tombado como patrimônio histórico, explora a atividade hoteleira em plena Avenida Rui Barbosa, alameda de acesso à Cidade.



A densa neblina que se formava na cidade no período de inverno, seguido de longas temporadas de chuvas, chamavam a atenção para o município que apresentava-se ainda como ‘Suiça Pernambucana’ e ‘Terra da Garoa’, já nas décadas posteriores.

Após 1990, com a ampliação da cidade, crescimento populacional, chegada de mais veículos, redução das matas na vizinhança oriunda de um desmatamento sem controle ambiental e a expansão das áreas asfaltadas, o clima foi sendo também alterado. 

Por sua vez, os estudos que passaram a apresentar indícios de um rápido aquecimento global, deram o golpe final em um dos charmes mais característicos de Garanhuns. 
Mas, os primeiros Festivais de Inverno, nascidos no ínicio  dessa década ainda mostravam resquícios do frio, porém nada que pudesse se assemelhar aos rigorosos invernos anteriores.

Em 1998, os termômetros já exibiam temperaturas até no máximo a casa dos dois dígitos, sendo as mais baixas em torno de 10 ou 11 graus, um fato a cada ano mais raro.

A VOLTA DO FRIO
Dando um salto no tempo, assistimos hoje, em pleno século 21, após um longo período de estiagem, a chegada de um inusitado inverno, coroado mais uma vez pela neblina que tornou-se um espetáculo à parte, principalmente nos bairros mais altos - as famosas sete colinas -, além das fortes chuvas e ventos que já criam uma atmosfera mais “preguiçosa” ao município. 

Quando os termômetros passaram a registrar nas primeiras horas da manhã temperaturas próximas a 12, 13 graus e 16 graus no restante do dia, as vestimentas das ruas de repente mudaram: luvas, toucas, capas, guarda chuvas e sombrinhas saíram dos armários e em casa a população passou a utilizar edredons e cobertores mais densos, dormir mais cedo, acordar mais tarde (se possível), além de retomar com mais ênfase o consumo de cafés, chás e chocolates quentes, bebidas que hoje dão a tônica na gastronomia local.

Com a chegada de mais um Festival de Inverno em sua vigésima sétima edição a ser iniciada no próximo dia 20 e perdurando estas atuais condições climáticas, compartilharemos com nossos visitantes o nosso frio como mais uma das sensações agradáveis de se estar em Garanhuns, em conjunto com as belas imagens que certamente levarão em suas selfies. 

Pelo menos nesse momento, Garanhuns está sendo Garanhuns. Vamos aproveitar!  

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