domingo, 11 de junho de 2017

BATALHA VENCIDA, QUAL SERÁ A PRÓXIMA MOVIMENTAÇÃO DE TEMER NESTA GUERRA?

*Por Marcelo Jorge

Cada dia mais se acentua entre a população brasileira a sensação de que o país continua dividido, assim como as opiniões dos Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permitiram com uma vitória apertada por apensa 1 voto de diferença, a permanência do Presidente Michel Temer no cargo. O julgamento inédito de uma chapa presidencial, no entanto, já trazia essas previsões de desfecho por parte de muitos analistas políticos.

Com a declaração do porta-voz do governo, Alexandre Parola, de que Temer recebeu a decisão como “um sinal de que as instituições continuam a garantir o bom funcionamento da democracia brasileira”, ficou evidente a segurança que o presidente tem acerca da sua força política, mesmo com as altas taxas de rejeição popular detectadas em todas as pesquisas de opinião recentes.

A partir de agora, o  foco na agenda econômica é o próximo passo do governo para tentar abafar a crise política, que não termina com esta vitória no TSE. A base aliada do governo, mesmo dividida já começa a sinalizar   que seguirá de forma majoritária, em parceria com o Congresso Nacional, na tentativa da aprovação das reformas propostas pelo governo.

Seguindo essa linha, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, declarou em nota que o seu papel como presidente da Câmara dos Deputados é resguardar a estabilidade política e econômica do país e assegurar o pleno funcionamento da Casa, especialmente garantindo as votações necessárias para a retomada do crescimento sustentável do Brasil. O recado de apoio de Maia, portanto, foi claro.
É certo que o céu ainda não é de Brigadeiro para Temer, no entanto, as articulações políticas com o Congresso poderão o livrar dos próximos processos aos quais enfrentará, principalmente na forte repercussão e gravidade do episódio no qual recebeu em prédio público, em horário inconveniente, um empresário investigado que o gravou em uma conversa nada republicana, crime caracterizado como obstrução da Justiça ou integração de organização criminosa -  qualquer uma das penas varia de três a oito anos de reclusão.
É que, para que se inicie um processo de investigação no STF contra um presidente da república, os parlamentares teriam que avaliar se o caso tem elementos ou não para a formalização da denúncia. Se houver, a ação só será enviada para a análise do Supremo com o voto favorável de no mínimo 342 deputados, portanto, isso resultaria na aprovação por dois terços da Câmara dos Deputados. 

Como sabemos do alto grau de envolvimento de muitos dos parlamentares  delatados nas investigações, seria para o presidente cujo apoio ainda representa  maioria na Câmara, uma possibilidade ainda maior que o desafio vencido essa semana que passou no TSE. 
*Marcelo Jorge é Consultor Político, radiojornalista, Publicitário e Graduando em Ciência Política

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