sexta-feira, 28 de abril de 2017

A GREVE É GERAL. MAS EU TENHO QUE ADERIR?

Foto: Igor França
Por Marcelo Jorge*

Apesar da Greve Geral dessa sexta feira (28), convocada pelos sindicatos e movimentos sociais como FETAPE, CUT e MST, com participações de bandeiras e cores vermelhas em todo o país ter a suposta intenção de chamar a atenção dos políticos para a insatisfação popular causada pelas anunciadas reformas da previdência e trabalhista, a serem, se aprovadas, instituídas pelo Governo Temer, serem lícitas,  o movimento também apresenta por parte de alguns participantes algumas distorções como a intenção de fortalecimento do discurso “Volta Lula-Dilma". 

No entanto, a Greve não está conseguindo alcançar a dimensão que os realizadores esperavam. Nas ruas, os discursos denunciam que os líderes são oriundos das centrais sindicais e da cena política.

A forma desordenada da maioria dos piquetes estão sendo realizados, inclusive com a tentativa de cooptação de outros segmentos, que decidiram democraticamente deles não participar, mostram que o ato, apesar de chamar a atenção e ser feito por muitas pessoas bem intencionadas, não terá a força política necessária para modificar qualquer atitude que venha ser tomado nos parlamentos. 
Essa força seria melhor aproveitada se viesse de forma legítima de manifestações apartidárias. 
Afinal, os deputados e senadores que decidirão estas reformas no Congresso são escohidos pela população e somente as urnas no ano que, bem utilizadas, é que poderão produzir as mudanças que essa sociedade anseia. Movimentos com viés partidário decididamente não emociona governo nem sensibiliza parlamentares.

Em relação a adesão forçada de grevistas, por exemplo: Com o direito de ir e vir cerceado, o cidadão ou cidadã que tinha uma consulta médica agendada, uma viagem com passagem comprada, uma prova na sua escola ou qualquer compromisso que julgasse importante como a ida ao seu trabalho, ficou no mínimo atemorizado com a forma com a quais os líderes (?) do movimento  tentavam à força induzi-los a participar. Basta acessar os sites de notícias pelo Brasil e ver como o uso da força se fez necessária pelos meios de segurança, em meio a queima de pneus, estouro de vidraças e destruição do patrimônio público.

Em Garanhuns, a 268 quilômetros da Capital Recife, as manifestações começaram cedo e ocuparam inicialmente um espaço destinado a atividades artísticas ou exposições no centro cidade (Espaço Colunata), mas logo após, percebendo que as lojas do centro continuavam abertas, decidiram caminhar pela avenida central e aos gritos exigiram que comerciantes fechassem suas portas. O trânsito – que já não é o mais eficiente nos dias normais - ficou caótico. Essa arbitrariedade não pode ser mostrada na mídia como uma ‘virtude’ da manifestação.

No vídeo abaixo, manifestantes aos gritos atemorizam funcionários de uma loja de Departamentos em Garanhuns:

Durante o restante do dia, espera-se que o movimento não tome caminhos violentos, que possam causam acidentes como o ocorrido na manhã dessa sexta próximo ao Porto de Suape, no Cabo, quando um motorista ao tentar livra-se de um piquete, atropelou e matou um motociclista. 

Direito à greve sim. É constitucional e também uma forma de pressão popular que, na dose certa, produz resultados. 
Mas uma forma de manifestação que não permite o contraditório, decididamente, deixa de ser Democracia!  


*Marcelo Jorge é Publicitário, radiojornalista no Programa de Rádio “Falando com o Agreste” – Rádio Marano FM -, Consultor Político e Graduando em Ciência Política na UNINTER  

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