sábado, 15 de dezembro de 2012

INGLESES E ARGENTINOS: LAÇOS ANTIGOS REFLETIDOS NA ARQUITETURA

 

Dois exemplos da influência da arquitetura européia em Buenos Aires 

A área onde estamos hospedados em Buenos Aires, Partido Tres de Febrero, é como se fosse um imenso bairro composto por outros bairros. Estamos em Martin Coronado e Villa Bosh. O bucolismo de cada rua é impressionante. As casas são muito bem cuidadas e tem um estilo europeu inconfundível. Os grandes e pequenos chalés, praticamente todos com tijolo aparente e predominância das cores marrom/cerâmica, mantém jardins bem cuidados com grama sempre aparada e em sua maioria tem madeira em sua composição. Apesar da idade de muitas destas residências beirar os 50/60 anos, mantém a mesma elegância do seu apogeu. As construções são um legado de um período rico de Buenos Aires. Existe um bairro que, apesar do passar do tempo, continua tendo aquela essência da sua fundação. O bairro inglês de Caballito, no coração portenho, foi de fato um bairro de ingleses, fundado pelos diretores da primeira linha de ferrovias da Argentina, a Companhia Ferrocarril Oeste.   
Apesar da posterior disputa dos Argentinos com os ingleses pelo domínio das ilhas Malvinas (ou Falklands, como os ingleses a batizaram) e que levou os países a embates sangrentos na década de 1980, a influência na arquitetura inglesa na Cidade é inegável. 
O bairro foi um empreendimento levado a frente pelo Banco El Hogar Argentino e fica delimitado pelas ruas Valle (ao norte), Del Barco Centenera (leste), Emilio Mitre (oeste) e Av. Pedro Goyena (sul). Os esportes típicos dos britânicos como o Jóquei, Rugby, Tênis, Pólo ou Futebol chegaram com eles e tiveram grande aceitação pela população local, sendo o Rugby e o Futebol aqueles que despertaram maior paixão. As ruas são pequenas e ainda muitas destas conservam os paralepipedos originais. As edificações dos prédios respeitam as linhas britânicas arquitetônicas, estilos Tudos ou Georgian do século XVIII, podem ser reconhecidos. Muitas destas construções foram projetadas pelos engenheiros Pedro Vinent, o arquiteto Eduardo Lanus, Coni Molina e Bilbao la Vieja. O Governo da Cidade de Buenos Aires declarou esta zona como "Área de Proteção Histórica". Este bairro respira tranquilidade e paz, um Oásis diferencial do stress típico dos bairros do centro.
O interessante deste bairro é sua vigência e supervivência dos investimentos imobiliários que atualmente ameaçam o patrimônio arquitetônico de Buenos Aires. Ainda os prédios originais respeitam uma linha de continuidade que permite contemplar uma verdadeira postal. Meu amigo, o arquiteto garanhuense Gláucio Brandão foi um dos que ficou fascinado, quando se deparou com essa riqueza arquitetônica portenha/buenairense. 
Falaremos depois acerca das visitas pelo Bairro de La Boca, San Telmo, Recoleta, Puerto Madero, Centro e Delta do Rio Tigre. 

Amanhã tem mais de Buenos Aires.

Um comentário:

  1. Caro Marcelo, muito bom essa sua publicação sobre a capital portenha, sua arquitetura sua história. Acredito que você deva citar em suas próximas inserções as praças belíssimas, organizadas, sempre com um monumento alusivo à historia daquele país e as soluções para abrigar os automóveis, algo que poderíamos adotar na nossa amada Garanhuns!

    Gláucio Brandão

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