sábado, 14 de maio de 2011

O INVERNO DE GARANHUNS, MEU AVÔ E OUTRAS SAUDADES DA MINHA INFÂNCIA

Imagem: Marcelo Jorge

Enfim, a Suissa Pernambucana começa a se cobrir com o manto de névoa, consolidando sua típica imagem. Na minha memória de 42 anos, vem à tona a paisagem da antiga Garanhuns, numa época que o trem anunciava com um sonoro apito a sua chegada à estação, hoje criativamente transformada no Centro Cultural Alfredo Leite, onde , graças a Deus, a criatividade continua perpetuando-se nos espetáculos alí encenados.  A época atual é marcada pelo recolhimento das coloridas flores que voltarão a enfeitar as ruas, as praças e os nossos jardins apenas na primavera. Esse período novamemente me remete a década de 1970/1980, durante a minha saudável infância. Já as cinco da manhã eu saía com meu avô, Antônio Tomé, para a ‘feirinha da Oliveira Lima’. O frio era, à época, muito intenso e lembro do meu avô me colocando um saco de ‘estopa’  sobre a cabeça para proteger-me da fria garoa. Saíamos assim, em direção a feira onde ele conduzia sua carrocinha, na qual dividia um espaço para seu netinho de 7 anos, Marcelo Jorge, com pequenos sacos com maracujás, chuchus, além de legumes verdes, cultivados carinhosamente no fundo do seu vasto quintal, para comercializá-las naquela feira, não sem antes ter guardado alguns desses produtos para o consumo caseiro, com os quais minha avó Ana Coelho preparava seus deliciosos almoços. O cheiro dos temperos naturais na feira,  da garoa caindo na terra e da ‘estopa’, continuam nas minhas narinas por todo esse tempo, gerando muitas saudades. Não sei se por ter crescido e passado muito tempo fora de Garanhuns, não sinto mais o mesmo frio de antes. Entendo que o aquecimento global também nos roubou um pouco do clima, o asfalto da cidade colaborou com esse aquecimento,  a cidade se ampliou, as drogas surgiram e por isso o preço do desenvolvimento vem sendo, sacrificadamente, pago por quem viveu um passado mais tranqüilo. Mas, graças a Deus, ainda nos resta a névoa a encantar e envolver com seu manto a nossa Garanhuns. Salve Garanhuns. Bem vindo Inverno 2011. 

Um comentário:

  1. Parabéns pelo texto.Fiquei com saudades da garoa de Garanhuns e minha infância. Lembrei de Miguelzinho um amigo da minha mãe que nos visitava no dia da feira. Ele sempre trazia um saco de estopa. Minha mãe nos alertava que se fóssemos desobedientes, ele nos levaria embora naquele saco de estopa.kkkkkk

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